04/12/2014 -Por Fundacentro

Acidente de Bhopal faz 30 anos

Três acidentes marcaram o mundo no ano de 1984. O mais grave deles ocorreu em Bhopal, na Índia, em 3 de dezembro, causando, no primeiro momento, a morte de três mil pessoas asfixiadas por uma nuvem de gás. Nos dias que se seguiram mais pessoas morreram. Estima-se a ocorrência de 20 mil mortes. Outras 150 mil foram contaminadas. Muitas mulheres tiveram filhos com deficiências devido à má formação fetal.



Alex Pires / Fundacentro                                                                                                                                       

Para discutir as causas desse acidente e mostrar os caminhos percorridos pela segurança química, a Fundacentro realizou o Seminário Alusivo aos 30 anos do Acidente de Bhopal. "É preciso fazer com que acidentes com esse não ocorram mais. Esse evento tem uma tônica de reflexão. Hoje falamos não só de prevenção, mas também de precaução", afirmou o diretor técnico, Robson Spinelli.

A tragédia de Bhopal e os acidentes ocorridos no mesmo ano na Vila Socó, em Cubatão/SP, e na Cidade do México motivaram a criação pela Organização Internacional do Trabalho - OIT da Convenção 174, que trata da prevenção de acidentes industriais maiores, ou ampliados.

"O acidente ampliado deve ser considerado pelo potencial do que pode causar. Isso se faz por uma análise de riscos. Outro problema é a questão do planejamento urbano. Quando há o acidente ampliado, as consequências atingem o entorno", explicou o tecnologista da Fundacentro, Fernando Sobrinho, coordenador do evento, em palestra sobre a Convenção 174.

Sobrinho também apresentou dados de acidentes ocorridos em 2014. "Trinta anos depois de Bhopal, continuamos tendo acidentes importantes, que estão migrando para as pequenas e médias empresas", completa o tecnologista.

Bhopal
Já a análise crítica do acidente de Bhopal foi feita pelo tecnologista aposentado da Fundacentro, José Possebon. Ele apontou uma série de erros que culminaram na tragédia. A empresa Union Carbide fabricava isocianato de metila - ICM. "Tinha os recursos para evitar uma catástrofe, mas a maioria dos equipamentos não estava funcionando ou estava em manutenção. Não havia equipe de controle de emergência para atuar, e as providências demoravam a ser tomadas", refletiu Possebon.

O sistema de refrigeração, por exemplo, havia sido retirado de operação para manutenção, apesar do isocianato de metila precisar ser mantido a uma temperatura de 0° C. O lavador de gases, que utilizava uma solução de hidróxido de sódio para neutralizar o ICM, também estava inoperante no dia do acidente. Já o queimador de gases (flare) estava desativado, pois um trecho da tubulação foi retirado para manutenção. Se estivesse funcionando, queimaria o ICM e impediria a contaminação ambiental.

Outro problema foi o sistema de armazenamento da substância química. Feita em três tanques, o terceiro deveria estar vazio e ser utilizado para estocagem de emergência, para controlar temporariamente o produto fora de especificação, antes de reprocessá-lo. Mas os três estavam cheios. O sistema de pressurização também falhou, porque a válvula estava com vazamento e permitiu a entrada da água no tanque. Trinta anos após o acidente, a planta continua abandonada e não desmontaram a estrutura.

Visão tripartite
Representantes de trabalhadores e empregadores também deram palestra no evento. O engenheiro de segurança e mestre em saúde pública, Nilton Freitas, representante do Sindicato dos Químicos do ABC, apontou que uma explosão na Petroquímica União em Mauá, no ano de 1992, contribuiu para mudanças nos processos de segurança química e motivou a revisão da NR 13, sobre caldeiras, vasos de pressão e tubulações. 

"O fator essencial para a evolução da segurança química no Brasil se deve a NR 13. Foi feita de forma tripartite e teve aporte de todo o país", avaliou Freitas. Outro fato importante foi a ratificação da Convenção 174, pela pressão dos trabalhadores e de funcionários públicos de setores envolvidos com a questão.

Já o diretor do Departamento de Saúde do Trabalhador da Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo), João Scaboli, falou sobre vários eventos por eles realizados para a disseminação da segurança química entre os trabalhadores. Citou ainda a convenção do setor farmacêutico, que tem uma cláusula sobre o direito de saber.

Luiz Harayashiki, da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), por sua vez, falou sobre o Programa Atuação Responsável, que eles trouxeram ao Brasil em 1992. Desde 1998, o Programa, que tem a adesão de mais de 60 países, é obrigatório para os associados da Abiquim. O documento Responsible Care Global Charter, revisado em 2014, explicita seis elementos a serem atendidos: cultura corporativa de liderança, salvaguardar pessoas e o meio ambiente, fortalecimento de um sistema de gestão, influenciar os parceiros do negócio, engajar stakeholders e contribuir para a sustentabilidade.

O evento ainda contou com uma apresentação de Edson Haddad, da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). Empreendimentos que passam pelo licenciamento ambiental precisam ter um programa de gerenciamento de riscos, o que tem reduzido o número de ocorrências assim como a gravidade dos mesmos. A exigência também tem sido feita às rodovias, já que metade das 400 ocorrências atendidas anualmente pela Cetesb no estado de São Paulo ocorrem nesses ambientes.

A Cetesb administra a Rede Latino-americana de Emergências Químicas, na qual profissionais da área trocam informações por e-mail. Para participar basta escrever para ehaddad@sp.gov.br

Durante a semana do evento, ocorreu o Curso de Segurança Química. Todos os alunos participaram do Seminário.

Saiba mais
Como 3 de dezembro é o Dia Mundial de Combate ao Uso de Agrotóxico, o Comitê Paulista da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida falou sobre o trabalho que realizam. Mais informações no site da campanha.

Já as apresentações serão disponibilizadas na página da Fundacentro, em Eventos Realizados.

O evento foi encerrado com a apresentação do vídeo da Fundacentro "Prevenção de Grandes Acidentes Químicos". O filme, além da abordagem técnica, transmite uma mensagem positiva sobre o tema.

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